Sem centro de reabilitação próximo, moradores de Sorocaba arcam com resgates de animais silvestres

  • 17/01/2026
(Foto: Reprodução)
Sem centro de reabilitação próximo, moradores de Sorocaba arcam com resgates de animais silvestres O interior de São Paulo abriga uma grande variedade de animais silvestres que se adaptaram à urbanização e passaram a conviver diariamente com moradores de diferentes municípios. Esse contato cada vez mais próximo faz com que seja comum encontrar animais feridos ou em situação de risco. Segundo a veterinária Paula Prata, de Sorocaba (SP), mesmo quando a população presta os primeiros cuidados, o centro de triagem mais próximo da região é o Núcleo da Floresta, localizado em São Roque (SP), a cerca de 43 quilômetros de distância. 📲 Participe do canal do g1 Sorocaba e Jundiaí no WhatsApp "É necessária urgentemente a criação de um projeto voltado ao recebimento de animais de vida livre na região. As cidades acabaram misturando a vida urbana com a vida silvestre e, hoje em dia, é comum encontrar maritacas, urubus, carcarás, entre outros animais, em diferentes municípios", explica. LEIA TAMBÉM: Maritaca, tamanduá-bandeira, tucano-toco e outros: saiba quais são as espécies mais encontradas em Sorocaba VÍDEO: biólogo registra soltura de raposa e tamanduá após meses de reabilitação no interior de SP Primeiros socorros para pets silvestres e exóticos: médica veterinária explica o que fazer em casos de emergência De acordo com Paula, a falta de estruturas adequadas dificulta o encaminhamento dos animais resgatados e faz com que muitos moradores acabem assumindo os cuidados por conta própria, incluindo gastos financeiros. Resgates feitos por moradores Um dos exemplos é o da auxiliar administrativa Thairine Cordeiro, de 30 anos, que resgatou um filhote de maritaca em Sorocaba. Ela contou ao g1 que não recebeu apoio de nenhum órgão competente na região. Thairine Cordeiro, de Sorocaba (SP), resgatou uma maritaca da rua Fernanda Cordeiro/g1 "Eu e minha irmã resgatamos o filhote no meio da rua. Ele estava voando com os pais, mas acabou caindo no chão e começou a se arrastar devido a um emaranhado de linhas preso na perninha dele. Ligamos para o Corpo de Bombeiros e para a Polícia Ambiental, mas nos disseram apenas para deixá-lo onde estava", relembra. Segundo Paula, grande parte dos resgates envolve filhotes. "Esses animais ainda não têm percepção de risco e não fogem como os adultos. Por isso, ficam mais vulneráveis e acabam criando vínculo com os seres humanos, processo conhecido como imprinting", explica. Apesar da orientação recebida, as irmãs decidiram levar o animal para casa. "É impossível ver um bicho indefeso, precisando de ajuda, e não fazer nada. Nós o levamos para casa e tiramos o emaranhado de linhas da perninha dele. O que nos surpreendeu foi o quanto ele era manso", relata Thairine. Moradora relata como foi resgatar uma maritaca em Sorocaba (SP) Fernanda Cordeiro/g1 Ela conta que os pais do filhote permaneceram sobrevoando o local onde ele havia caído e, por isso, decidiu tentar devolvê-lo. No entanto, como havia muitos gatos na região, ficou com medo e recolheu novamente a ave. Sem apoio de órgãos públicos, Thairine e a irmã entraram em contato com a veterinária Paula Prata para receber orientações. Com o tempo, precisaram levar a maritaca ao consultório veterinário e arcaram com as despesas. "O deslocamento é longo, e nem todos conseguem levar o animal até esses locais. A partir do momento em que alguém realiza o resgate, passa a ter a responsabilidade pelo animal. Mas, diante da ausência de centros, não há muitas alternativas", explica a veterinária. Thairine Cordeiro, de Sorocaba (SP), relata desafios após resgatar animal silvestre Arquivo pessoal "Em alguns casos, as pessoas arcam com os custos de clínicas particulares na tentativa de soltar o animal depois por conta própria. A situação é delicada, já que é proibido manter animais silvestres em casa. Ainda assim, alguns acabam ficando com eles de forma irregular por falta de opções. É triste, porque criam afeto, mas não podem mantê-los legalmente", acrescenta Paula. Situação semelhante foi vivida por Thayane Muniz, de 26 anos, também de Sorocaba, que resgatou um filhote de saruê. "Encontrei um saruê caído. Ele era filhote, e as cachorras não deixaram a mãe descer. Na época, eu liguei para os órgãos competentes, mas negaram ajuda e apenas disseram para deixar ele ali. Nem mesmo fui orientada. Tive que levar o filhote para a minha professora da faculdade. Eu cursava veterinária", diz. Saruê é um dos animais que mais são resgatados no interior de São Paulo Paula Nochelli Prata/Arquivo pessoal Riscos do vínculo com humanos Segundo Paula, quando o resgate ocorre sem orientação técnica adequada, os animais acabam, na maioria das vezes, criando vínculos com humanos, o que pode comprometer a sobrevivência da espécie. No caso das maritacas, a especialista explica que a ave tem grande capacidade de adaptação por viver em bando e se alimentar de frutas. Ainda assim, o contato excessivo com humanos representa um risco. "Esse vínculo dificulta muito a soltura. O animal pode voltar a procurar contato humano após ser reintroduzido na natureza, correndo o risco de sofrer maus-tratos ou até ser morto. Essa proximidade com áreas urbanas também expõe esses animais à contaminação e ao contato com aves domésticas, o que aumenta o risco de transmissão de doenças", conclui. Thayane Gabrielli Muniz, de 26 anos, fala sobre a falta de centros de reabilitação no interior de São Paulo Arquivo pessoal Primeiros socorros e falta de estrutura Maritacas, saruês e saguis estão entre os animais silvestres mais comumente resgatados por moradores do interior paulista, segundo a veterinária. À primeira vista, muitas pessoas não sabem como agir ao encontrar um animal ferido. "Os primeiros cuidados dependem da gravidade do ferimento. Em casos de sangramento intenso, o ideal é higienizar a ferida apenas para avaliar a profundidade. Se forem lesões superficiais, é possível realizar cuidados paliativos. Já ferimentos profundos, com sangramento difícil de estancar, exigem atendimento em clínica veterinária", explica. No entanto, Paula ressalta que o maior desafio começa após os primeiros socorros. Segundo ela, há anos se discute a necessidade de suporte financeiro do poder público para o cuidado desses animais. "Houve um período em que o Núcleo da Floresta deixou de receber animais do município justamente pela falta de retorno financeiro. Sem esse apoio, torna-se inviável manter estruturas de reabilitação", diz. "Há anos se fala na criação de Cetas na região, mas o projeto não avançou. Se até para cães e gatos já é difícil obter suporte, para animais silvestres e não convencionais a dificuldade é ainda maior. Além disso, são animais endêmicos e em grande quantidade, o que faz com que, muitas vezes, não haja interesse do poder público em investir na manutenção dessas espécies", conclui. Paula trabalha na área de animais exóticos e silvestres há sete anos Paula Nochelli Prata/Arquivo pessoal Animais silvestres sofrem com a falta de centros de reabilitação no interior de São Paulo Fernanda Cordeiro/g1 Veterinária de Sorocaba (SP) fala sobre a falta de centros de reabilitação para animais silvestres no interior de São Paulo Paula Nochelli Prata/Arquivo pessoal *Colaborou sob supervisão de Júlia Martins Veja mais notícias da região no g1 Sorocaba e Jundiaí VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2026/01/17/sem-centro-de-reabilitacao-proximo-moradores-de-sorocaba-arcam-com-resgates-de-animais-silvestres.ghtml


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