PCC mandou torturar e matar PM que discutiu com traficante em SP, diz polícia
12/01/2026
(Foto: Reprodução) PCC mandou matar PM em SP, diz polícia
O Primeiro Comando da Capital (PCC) mandou torturar e matar o policial militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, aponta relatório da Polícia Militar (PM) obtido pela TV Globo.
Segundo o documento, cinco membros da facção criminosa foram identificados por participação no crime. Três deles são apontados como mandantes porque teriam ordenado a execução do cabo. Outros dois aparecem como executores porque seriam responsáveis por bater nele e o matar.
A Polícia Civil, que investiga o caso, ainda não pediu à Justiça as prisões dos envolvidos _eles também não tiveram seus nomes divulgados.
De acordo com a investigação, Fabrício foi morto após discutir na quarta-feira (7) com um traficante de drogas numa adega dentro de uma comunidade da Zona Sul de São Paulo. O PM estava de férias e tinha ido ao local visitar a família na favela Horitonte Azul, perto da estrada do M´Boi Mirim.
O traficante estava consumindo cocaína dentro do estabelecimento, onde foi advertido pelo PM. Ele foi embora, mas avisou os integrantes da facção, que se reuniram e decidiram matar o cabo. Os motivos eram o fato de ele ser policial e levar risco ao tráfico na comunidade.
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Mandantes e executores
Cabo Fabrício Santana sumiu depois de discussão em comunidade de São Paulo. Carro dele foi achado queimado em Itapecerica da Serra, na região metropolitana
Reprodução/Arquivo pessoal/ João Netto/TV Globo
Após três chefes do PCC da Zona Sul decidirem pela morte do PM, outros dois membros da facção o executaram, provavelmente na quinta-feira (8), segundo a polícia. Eles roubaram a arma do policial e o levaram para dentro de um bar, onde o executaram.
Câmeras de segurança da comunidade mostram que o carro do policial transitando na comunidade e sendo seguido por outro veículo. Depois o automóvel do cabo foi encontrado carbonizado na quinta numa área de mata em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo.
O corpo de Fabrício foi encontrado no domingo (11) por cães farejadores. Estava enterrado num sítio em Embu Guaçu, na região metropolitana. A identificação foi confirmada nesta segunda-feira (12) pela Polícia Técnico-Científica.
Laudo preliminar apontou que o corpo tinha sinais de tortura e traumatismo craniano, que causou sua morte. Exames complementares tentarão confirmar o que provocou o trauma.
"Sofreu um traumatismo craniano muito grave", disse à TV Globo o diretor do Instituto Médico Legal (IML), Vladimir Alves dos Reis.
Quatro presos
Presos por envolvimento na morte do PM Fabrício Santana em SP
Reprodução/TV Globo
Além dos cinco membros do PCC, outras quatro pessoas estão presas temporariamente por suspeita de ligação com o crime.
Os detidos são:
Riclécio Cerqueira de Moraes: traficante que discutiu com o PM;
Isaque Duarte da Silva: conhecia o policial e levou até os criminosos;
Gleison Santos Dias: transportou galões de combustível para incendiar o veículo do agente;
André Colombo Dias: caseiro do sítio onde o corpo da vítima foi encontrado.
Segundo a polícia, alguns dos suspeitos presos confirmaram que o PM foi morto a mando do PCC. A equipe de reportagem tenta localizar suas defesas para comentar o assunto.
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O corpo de Fabrício será enterrado nesta segunda-feira (12) no Cemitério Cerejeiras, no Jardim Ângela. O PM estava com casamento civil marcado para dois dias depois.
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