Delegada presa acusada de advogar para o PCC estava em estágio probatório; 'cortamos na própria carne', diz secretário

  • 16/01/2026
(Foto: Reprodução)
Delegada acusada de advogar para o PCC é presa A delegada Layla Lima Ayub, presa em São Paulo nesta sexta-feira (16) durante operação do Ministério Público, por suspeita de advogar para o Primeiro Comando da Capital (PCC), estava cumprindo estágio probatório na Academia de Polícia. 🔎 Em São Paulo, o delegado recém-empossado deve cumprir estágio probatório, com duração de três anos. Nesse intervalo, passa por avaliações semestrais de desempenho e precisa cumprir certos requisitos. Caso não atenda a esses critérios, pode ser exonerado. Por isso, a estabilidade só é adquirida após a conclusão satisfatória de todo o estágio. LEIA TAMBÉM: Delegada acusada de advogar para o PCC foi PM no Espírito Santo; veja perfil Em coletiva, o secretário da Segurança Pública, o delegado Osvaldo Nico Gonçalves, disse que Layla participou de uma audiência de custódia como advogada no município de Marabá, no Pará, apesar de já ter assumido o cargo de delegada. "Nossa aluna que passou aí no concurso de delegada, e não tinha nenhum apontamento contra ela [...] cortamos da própria carne, mas é o exemplo que estamos dando", declarou o secretário. O promotor Carlos Gaya ainda afirmou, na coletiva, que não há indícios que o PCC tenha financiado a carreira de Layla. "A hipótese que a gente trabalha nesse momento é que ela tenha sido cooptada no curso do contato dela com lideranças do PCC dentro dos presídios no Pará." O Ministério Público também não encontrou indicadores de fraude no concurso para delegada de polícia. Somente após a posse do cargo, a relação dela com a facção criminosa foi descoberta. Ela tinha uma atuação muito próxima de lideranças do PCC localizadas na região de Marabá ainda que se não se tratassem de clientes dela. O que seria um indicativo de que ela estaria de alguma forma facilitando a comunicação entre eles ou de que estaria atuando em benefício da instituição, sendo paga pela facção e não por indivíduos específicos. A reportagem tenta localizar a defesa de Layla. Posse como delegada Layla tomou posse como delegada em São Paulo em 19 de dezembro de 2025, durante solenidade realizada no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Na ocasião, conforme imagens publicadas nas redes sociais, ela estava acompanhada do namorado, Jardel Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel. Ele é apontado pelas autoridades da Região Norte do país como integrante do PCC e um dos chefes do tráfico de armas e drogas em Roraima. Layla tomou posse em dezembro de 2025, durante solenidade no Palácio dos Bandeirantes. Montagem/g1/Reprodução A pedido do Ministério Público, a Justiça decretou a prisão temporária de 30 dias da delegada e do namorado. O casal é investigado pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Eles foram capturados em uma pensão onde moravam na capital. Além dos mandados de prisão, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo e de Marabá (PA). Um dos endereços da operação é a Academia da Polícia Civil, no Butantã, na Zona Oeste da capital, onde Layla mantinha um armário. O procurador-geral de Justiça, Paulo Sérgio Costa, comentou a prisão da delegada. "Além da economia formal, o crime organizado tem também se infiltrado em carreiras públicas e estruturas de Estado. Mas em São Paulo, graças aos setores de inteligência, isso tem sido coibido", afirmou. Atuação ilícita A delegada recém-empossada Layla Lima Ayub é suspeita de advogar para o PCC Reprodução/Redes sociais Segundo o Ministério Público, em 28 de dezembro do ano passado — nove dias após tomar posse como delegada na capital — Layla atuou como advogada na defesa de um dos quatro integrantes do PCC presos em flagrante pela Polícia Militar em Rondon do Pará, a 523 quilômetros de Belém. Contudo, a conduta é proibida tanto pelo Estatuto da Advocacia quanto por normas estaduais, que vedam a delegados de polícia o exercício da advocacia privada. Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) suspeitam que Layla utilizava o cargo para favorecer interesses da facção criminosa. Como delegada, ela teria acesso a inquéritos e a bancos de dados com informações restritas. As investigações também apontam que Layla e o namorado teriam adquirido uma padaria em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo, com dinheiro de origem ilícita, utilizando o nome de um “laranja” para ocultar a real propriedade do negócio.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/01/16/delegada-presa-acusada-de-advogar-para-o-pcc-estava-em-estagio-probatorio-cortamos-na-propria-carne-diz-secretario.ghtml


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